Quem Criou o Universo? Ele se criou sozinho? Existe desde sempre? São perguntas filosóficas e científicas que muitas pessoas fogem só de ouvir. Aqui encaramos elas de frente, e o que vamos descobrindo pelo meio do caminho é mais surpreendente que o fim.

Neste primeiro mês, na Escola Politeia, estamos discutindo o tema religião, escolhido por estudantes e educadores. Enquanto este tema é desenvolvido outros exercícios vão sendo feitos para descobrirmos qual será a Trilha Educativa do semestre, um tema que vai nos acompanhar pelos próximos meses e que vai perpassar todas as áreas do conhecimento.

Mas o que discutir sobre religião em Ciências Naturais? Uma possibilidade está nos mitos de criação das várias culturas ao redor do mundo e através do tempo, incluindo aí uma cultura bem específica que é a cultura científica, com seu mito de criação do universo: O Big Bang.

Estamos trabalhando com os estudantes em uma proposta de Conhecer e Criar. Conhecer diversos mitos de criação do Mundo/Universo e Criar sua própria mitologia.

Estamos conhecendo alguns mitos de criação de diferentes culturas, uma de nossas fontes de pesquisa é o livro A Dança do Universo do Marcelo Gleiser.

Conhecemos o mito de criação Assírio, que começa com uma reunião de deuses. Anu simboliza o poder do céu ou do ar, Enlil o poder da terra, Shamash o Sol ou fogo, Ea a água, e Anunnaki o destino. Para os assírios, a Criação ocorreu quando os quatro elementos e o tempo se combinaram para dar forma ao mundo e à vida. Sua religião é baseada em rituais que celebram o poder da Natureza, sendo a missão dos devotos a manutenção e o incremento do poder e da fertilidade da Terra, uma lição que nós todos devemos encarar muito seriamente hoje em dia.

Outra cultura que conhecemos foi a dos índios norte americanos Hope que trazem uma mitologia de um ser criador, Taiowa que do infinito concebe o finito.

Algo importante de se destacar nos mitos de criação é a analise que se faz dele, dado que sempre estaremos baseados em nossa própria cultura. Isto pode gerar problemas de interpretação ou simplificações indesejadas.

“De fato, um erro bastante comum é usarmos valores ou símbolos da nossa cultura na interpretação de mitos de outras culturas. Outro erro grave é interpretar um mito cientificamente, ou tentar prover mitos com um conteúdo científico. Os mitos têm que ser entendidos dentro do contexto cultural do qual fazem parte.” (GLEISER, 1997)

O mito de Shiva trouxe um interesse grande aos estudantes. Provavelmente por sua mitologia de criação, destruição e manutenção do Universo com sua dança. Este mito apareceu novamente na área de português nesta semana, e mostra uma possibilidade interessante de mitologia, a cíclica, criação e destruição eternas do Universo.

Vocês devem ter reparado que comecei o texto tratando o Big Bang como um mito de criação. De fato, muitos cientistas teriam torceriam o nariz ao ler isto. Mas se encararmos a comunidade científica como um grupo cultural que tem seus próprios valores e símbolos e que busca dentro de seu escopo de atuação uma explicação para a origem do universo, esta definição não parecerá tão absurda.

No mito de criação do universo da ciência temos o Big Bang como modelo atual, mas não foi sempre assim, a própria ciência já passou por outras possibilidades de criação do Universo. Neste modelo o Universo teria se originado de um estado muito menor, mais denso e quente, uma partícula mínima que se expandiu de forma inflacionária no começo e continua se expandindo de maneira acelerada até hoje. Neste processo que não é uma explosão clássica (uma explosão necessita de um local para ocorrer), o tempo e o espaço foram criados de forma que não faz muito sentido perguntar o que tinha antes do Big Bang.

Nos seus primeiros momentos o Universo mais parecia uma sopa densa e quente de partículas em constante choque, mesmo a luz (fótons) quando tentava se locomover encontrava uma partícula, era absorvida e não ia muito longe. Com a expansão, o Universo foi ficando mais frio, e algumas partículas começaram a se combinar abrindo espaço para a luz viajar livremente, isso aconteceu por volta de 300 mil anos depois do Big Bang (o tempo de um suspiro para o Universo), e pode ser definido neste modelo como o “Faça-se a Luz” de um outro mito famoso.

Daí para frente as partículas foram se agrupando cada vez mais e formando os primeiros elementos químicos, na sequência gases, poeira, estrelas, galáxias, etc…

Este é só um resumo, mas não poderia ser diferente em tão poucas palavras, afinal como condensar quase 14.000.000.000 de anos em  poucas linhas?

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