Parte deste título é uma provocação. Provocação que se estende a todas as escolas, incluindo a nossa é claro.

Será que estamos ensinando o que precisa ser aprendido, será que estamos ensinando alguma coisa? Será que sabemos o que precisa ser ensinado? Alguma coisa precisa ser ensinada?

Vivemos em um mundo de rápidas transformações e considero que não temos ideia do futuro para o qual estamos educando. A crise do capital, a evolução da computação, as novas formas de relações entre pessoas, as mobilizações populares, etc., mostram que o futuro é incerto. A imponderabilidade pode ser a marca do nosso tempo. Se isso for verdade, mais que conteúdos e conceitos os nossos estudantes precisam de autonomia! Autonomia para lidar com o futuro incerto, autonomia para descobrir suas próprias formas de aprender e se educar.  Isto está ligado a um slogan muito usado hoje em dia:  “Educar para vida”, creio que este lema poderia ser rescrito como: “Educar-se na vida”. Quando colocamos da primeira forma parece que enquanto estamos nos educando não estamos vivendo e quando estivermos vivendo não estaremos em processo de educação.

Por isso o famoso lema “Educar para a Vida” deve ser olhado com cuidado. Devemos pensar que a escola que queremos para nós e para nossos filhos e filhas, seja uma escola que considere que a vida está acontecendo e que o processo de educação deve acontecer em contato com ela. (E cá para nós a vida fora da escola pode ser bem mais interessante)

Por isso aqui na Politeia o contato com o mundo fora da escola, que é mundo tanto quando dentro, é constante.

Saímos da escola sempre para ver se o mundo continua girando. Vamos conhecer museus, parques, teatros, a rua, universidades, etc., principalmente usando o transporte público, que é outro tipo de aprendizado.

Duas semanas duas Universidades

Há duas semanas fomos na PUC. Entre as muitas coisas que discutimos lá, uma delas foi a história importante desta universidade e sua resistência contra a ditadura. Enquanto andávamos pelos corredores uns cartazes chamaram a atenção dos estudantes, algumas botas pretas desenhadas. Um estudante nos explicou que era uma exposição para lembrar os 35 anos que a polícia invadiu a Universidade.

Enquanto estávamos lá fiquei pensando, existem várias formas de se aprender sobre a ditadura, mas poucas serão tão significativas quanto esta, conhecendo por dentro um lugar de resistência e luta.

Escola Politeia na PUC

Na semana seguinte fomos até a USP. Eu mesmo entrei na USP pela primeira vez, para conhecer, quando eu tinha 25 anos de idade! Muitas outras pessoas sequer sabem que existe…

Visitamos 3 lugares, o Museu de Geociências, um Acelerador de partículas e o Departamento de Astronomia. Esta saída estava mais ligada às pesquisas individuais que alguns estudantes estão realizando. Um coisa chamou minha atenção no museu de geociências. Um estudante estava insatisfeito com o passeio, dizia ele que seria melhor ter ficado na escola estudando e assim aprenderia mais. Levei ele até uma rocha que estava próxima e continuamos a conversa.

Eu disse que os livros ensinam muito, é verdade, que poderíamos encontrar um livro que falasse de meteoritos, por exemplo, mas quantas vezes na vida temos a oportunidade de estar a menos de um metro de distância de um meteorito de verdade, quantas vezes podemos ver na nossa frente um objeto que veio direto do espaço?

Meteorito do Museu de Geociências

Ele ficou surpreso e duvidou, ao ler a “plaquinha” que estava ao lado, percebeu que estava diante de uma rocha de 5 bilhões de anos. Seus olhos arregalaram. Não sei se ele mudou de opinião, isso não é o mais importante agora. Mas sei que ele ficou com isso na cabeça, sei que ele pensou no assunto. Isso sim importa.

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