“Aqui na Escola Politeia não temos prova”. Quando esta afirmação aparece nas apresentações da escola ou em conversas com amigos/as, causa diversas emoções. Desde o susto, apreensão, incompreensão e até mesmo descrédito. Logo em seguida vem a pergunta: “Como avaliam então?”.

Um dos grandes problemas da educação é associar avaliação com prova.

Mas o que temos mesmo que provar?

A prova estipula um patamar, uma nota, que todos/as os/as estudantes devem atingir para dizer que estão aptos ao próximo nível, para dizer que aprenderam certo conteúdo. Este conteúdo é invariavelmente escolhido pelo/a professor/a para ser colocado na prova.

Neste sistema todos/as os/as estudantes são comparados com este patamar, com esta nota, o famoso 5 (6 ou 7 dependendo da instituição).

Será que tirar uma nota 4 numa prova diz que você não é capaz? E será que tirar um 9 diz que é quase um gênio? Mas gênio em que? Em decorar fórmulas, listas, conceitos e reproduzir mecanicamente numa folha de papel com um tempo estipulado? Não me parece muito genial fazer isso.

Devemos pensar também na questão do tempo. Ele é um fator importante numa prova, afinal todos têm o mesmo tempo para aprender (aulas) e o mesmo tempo para dizer que aprenderam (provas), o MESMO tempo! Isto nos dá uma ilusão de justiça.

Esta tirinha dá uma boa ideia da noção torta de justiça que o sistema educacional proporciona. A prova é a mesma, o tempo é o mesmo, a capacidade é a mesma, logo todos/as podem chegar no mesmo objetivo. Isso é uma falácia!

Trabalhamos em tempos diferentes, brincamos em tempos diferentes, nos divertimos e vivemos em tempos diferentes uns dos outros, por que raios temos que aprender no mesmo tempo? Pior que isso, por que todos temos que dizer o que sabemos no mesmo tempo?

São tantas irracionalidades no conceito de prova que fica difícil colocar todas aqui. Não estamos nem falando do desespero desnecessário que as provas provocam nos/as estudantes, nem da meritocracia que é uma das principais características do capitalismo, etc.

Quem determina o 5, 6 ou 7 de nota?

Costumo dizer que a prova é uma foto, retrata um momento, um instantâneo do/a estudante e a avaliação deve ser um filme, um contínuo que mostre todo o processo e que compare o/a estudante com ele/a mesmo/a. Como o/a estudante estava antes e como está agora.

A avaliação deve ser feita a tempo de identificar crescimentos e dificuldades (uma prova não faz sentido, mas será ainda será pior se for na última semana de aula sem tempo para perceber o que aprendeu e o que precisa melhorar).

A avaliação deve ser usada para valorizar conhecimentos mais do que apontar falhas.

Enfim, este é um assunto muito mais complexo do que estas poucas linhas dão conta. Precisamos continuar pensando a avaliação, mas aqui na Escola Politeia já sabemos como ela NÃO deve ser…

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