(Texto produzido coletivamente pelos educadores e educadoras da escola)

Na última sexta-feira a escola não abriu suas portas. Apoiados pelos familiares presentes em conselho escolar e pelos estudantes, essa foi a forma que os educadores encontraram de participar ativamente do dia de Paralisação Nacional de várias categorias de trabalhadores e, mais especificamente, das lutas dos professores em vários estados.

Na nossa concepção, a formação escolar é também política. Isso acontece cotidianamente através da participação ativa de todos os membros da comunidade na criação das regras de convivência, na gestão do espaço escolar (divisão de tarefas) e da construção de um currículo que seja significativo para os estudantes e que não esteja descolado da realidade que cerca a escola. Não queremos que a Politeia seja uma bolha como outras escolas. Nossa ideia é que não exista uma realidade dentro da escola e outra fora dela, já que a escola faz parte da sociedade. Uma formação política na escola deve fazer constantemente esta reflexão.

Aqui em São Paulo, os professores da rede estadual de ensino estão protagonizando a maior greve de sua história (83 dias hoje). Além do péssimo salário de 12 reais por hora/aula, amargam péssimas condições de trabalho, numa escola que ainda é promessa de ascenção social para 90% dos brasileiros que nela estudam, em sua maioria pobres, filhos da classe trabalhadora. Em outros estados o cenário se repete, com algumas mudanças aqui ou alí, ou com pitadas de crueldade, como no caso da violenta repressão sofrida pelos docentes do Paraná.

Dois educadores da Politeia se encontraram no vão do MASP, na Avenida Paulista, para a assembleia dos professores da rede estadual. Outra educadora seguiu direto para o Viaduto do Chá, onde se encontraram os professores municipais, também em assembleia, em frente a prefeitura da cidade.

Votação da continuidade da greve dos professores do Estado de SP

Ato na Rua da Consolação

Escola na rua

Outra grande demanda dos movimentos sindicais e sociais, é a luta contra a PL 4330, também conhecida como lei da terceirização. Há algumas semanas, no dia 15 de Abril, a Politeia também decidiu participar, mas na ocasião, de maneira diferente. Além de discutir com os estudantes o significado de um retrocesso como esse, os educadores decidiram ir até o Largo da Batata, no dia da manifestação contra esse projeto de lei. Ocupamos o espaço público, com atividades livres e abertas sobre o tema. Como o ato começaria muito tarde, deixamos alguns cartazes e voltamos de transporte público para a escola.

Cartazes da Escola Politeia

Produção de cartazes no ato contra a terceirização

Nesses dois exemplos vivenciamos e construímos um caminho diferente das práticas conservadoras das escolas. Saímos do espaço rotineiro e protegido das escolas e adentramos o espaço social público, nos relacionamos de maneira direta com a realidade concreta  por acreditarmos que tais experiências fazem parte da formação escolar.

Temos um longo caminho pela frente. Diante da crise mundial que enfrentamos, a classe trabalhadora ainda sofrerá muitos ataques. A educação, como um elemento estratégico do sistema também passa por isso, vide os cortes de verba, a desvalorização e descaso geral por parte dos governos etc. Precisamos estar atentos a tudo isso e nos posicionar diante desta situação. Por esta razão a Politeia participou do ato da PL4330, por isso a Politeia parou na última sexta-feira.

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