Por Claudia Mesquita

Nessa semana eu participava de um seminário sobre educação, o SIEI, quando ouvi de uma das palestrantes que Politeia era a República grega imaginada por Platão. Antes e depois, ao longo de dois dias, muito se debateu sobre o exercício da cidadania, ética, liberdade, diálogo, troca, democracia, espaço de aprendizagem, pensamento crítico, desenvolvimento de potenciais, ser humano integral. Enquanto eu ouvia e aprendia, a imagem do meu filho permaneceu o tempo inteiro na minha cabeça.

Acho que o Chico hoje é um expert em pedagogias de ensino. Passou por muitos tipos de escolas, sem de fato se encantar com nenhuma, depois da pré-escola no Grão de Chão. Ele tem 15 anos. E no final de 2015, lá estávamos nós procurando uma nova possibilidade de escola. Encontramos a Politeia, instalada em uma casinha térrea atrás do Parque da Água Branca com a proposta de educação democrática. Assembleias, tutores, projetos, ciclos, comunidade, logo fui me familiarizando com o novo vocabulário. E com as práticas, filosofia e visão de educação das pessoas envolvidas com e no projeto. De cara fiquei impressionada com a capacidade de discussão dessa comunidade, ou seja, pais, professores e alunos. É uma entrega, corpo e alma. Muito esforço, a prática mesmo de ouvir e ser ouvido, cada um, todos, adultos, jovens e crianças. E é muito bonito de ver. Vejo isso nas reuniões que tenho com as tutoras, nas apresentações e discussões de pautas, presenciais e por e-mail ou WhatsApp, sobre usos dos espaços, visitas a equipamentos culturais e de lazer, propostas de estudos, linhas de atuação, configuração das turmas dos ciclos, procedimentos, sempre com o contorno da concepção democrática de ensino.

Exatamente por acreditar na importância fundamental de formação que a escola exerce, sempre fui atrás, para meus filhos, de projetos que estivessem interessados em ajudar a construir um país com pessoas legais, íntegras, curiosas, desejantes, autoconfiantes, conscientes de si e do outro, inclusivas, políticas, aventureiras, de mentes abertas, com possibilidade de escolhas, avessas ao autoritarismo. Minha filha, Isabel, está em uma escola assim – da qual eu fiz parte por um pouquinho de tempo na adolescência, mas que foi responsável, tenho certeza, do muito que sou hoje e do imenso que desejaria ser um dia. Nestes anos todos depois que o Chico saiu do Grão, sempre sonhei que ele também encontrasse o lugar dele. Porque eu sei que faz diferença e que pode ser uma experiência plena.

A escola pode ser um espaço em que se deseja estar. Acredito que a Politeia pode ser esse espaço. Para mim com certeza ela já é. E pra falar a verdade, arrisco dizer que cada vez que olho mais perto vejo a semente da Politeia lá, timidamente germinando dentro do Chico, mas lá. Porque também, cá pra nós, até para os mais fortes deve ser muito difícil resistir ao chamado verdadeiro da República.

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