PolitŽia

Sem categoria Arquivos - Politeia Escola Democrática

Por uma nova lógica dos resíduos

0 Por em

1478218989a7d615f3357bfa9360e6686638669700

“Tinha muita coisa jogada lá. Tinha coisa que as pessoas podiam doar, mas elas jogam lá. Tinha um Banana de Pijama e um computador da Barbie, coisas muito legais que eu sempre quis ter.”

Essa frase, dita pela estudante Sofia, de 6 anos, foi uma das primeiras da roda de conversa que tivemos na Escola Politeia, logo após a nossa visita à LOGA – Logística Ambiental de São Paulo.


Continue lendo »

Share

Estágio: para além da obrigatoriedade

0 Por em

Abaixo publicamos o relato de uma estagiária que passou pela Escola Politeia e aprendeu e contribuiu com nossa proposta. Sua reflexão posterior aponta que a escola não é apenas um espaço de aprendizado dos/das estudantes, é muito mais que isso, é um espaço de troca e construção de conhecimento de todos/as os/as envolvidos/as neste processo.

Aos educadores da Escola Politeia, sobre a experiência do estágio.

Quando eu cheguei à Politeia, o objetivo era simples: cumprir um estágio obrigatório de 100 horas – 75h numa turma de Alfabetização e 25h de Gestão Escolar. Sem nenhuma experiência enquanto educadora, carregando apenas os onze (maçantes) anos como aluna de escola pública que seguiam à risca o modelo tradicional de ensino, o famoso “senta, cala a boca e copia”.  O curso de Pedagogia também já não estava me motivando muito, por todo o cenário da educação e pela baixa ou nenhuma perspectiva de mudança. Por essa e por outras, volto a dizer: o estágio era apenas uma obrigação. Mas não é que a obrigação virou curiosidade, e motivação e depois prazer, e em pouco tempo a Politeia virou um dos lugares que eu mais gostava de estar?… Pois é, virou!

Encontrei aí uma grande família com cara de escola. Uma proposta de educação diferente de todas que me foram apresentadas antes, que não se limita a ensinar o que é a democracia, mas que a vivencia no dia-a-dia. Vi um grupo de educadores corajosos, motivados, que não têm medo de não ter uma resposta sempre pronta na ponta da língua, que não são meros reprodutores de conteúdos, aceitam o desafio de aprender enquanto ensinam, aprender com as dúvidas de seus alunos, que não julgam as crianças por suas falas e atitudes, mas as valorizam. Vi uma escola onde crianças e adultos falam de igual para igual, sem hierarquia, sem constrangimentos. Achei incrível ver os educandos propondo coisas, das mais simples às mais complexas, com suas sugestões sendo de fato ouvidas, respeitadas e realizadas quando possível, possibilitando a participação de todos nas tomadas de decisão, mostrando que educar para autonomia é mais do que simplesmente deixar a criança escolher a cor da capa do caderno.

Aprendi que ser um bom educador é primordialmente respeitar o interesse individual de cada educando e entender que nem sempre eles vão querer estar onde nós gostaríamos que estivessem, no cube da leitura, por exemplo, e não se frustrar (tanto) quando isso acontecer, porque num dia essa não é a prioridade deles, mas no dia seguinte pode ser (ou não)… faz parte do processo. Minha gratidão ao Yvan e as meninas do clube da leitura, Laís e Renata, por me ajudarem a entender isso.

Carol e Marcelo, obrigada por me receberem tão bem e me deixarem à vontade, interagindo com as crianças. Yvan e Edu, sem palavras pra vocês, que a amizade continue para além do estágio.

Fernando, quando eu crescer, quero ser como você! Obrigada por me ensinar o ápice da paciência que consegue ter um excelente educador, convicto da importância do seu papel e me mostrar que não se deve esganar criancinhas, por mais que elas tentem te tirar do sério (risos).

Osvaldo, como você eu aprendi que… Estagiária tem que se xxxxx mesmo e arrumar notinhas, pra ver que não tá fácil pra ninguém, rsrs!

Foram quase três meses de aprendizado constante e que todos foram muito importantes, não pelas respostas prontas, mas pelas dúvidas e inquietações me causaram. Minha gratidão a todos: Yvan, Edu, Carol, Osvaldo, Marcelo, Aline, Iara, Luiz, Tassi, Gabi, Carol Hamburguer, Patrick, Jôse e Jô, espero não ter esquecido ningém.

Sobre as crianças, sentirei saudades de ouvir o “Daniiii!!!” que as meninas gritavam quando me viam… E de todos os rostinhos espertos.

Desejo que vocês continuem a se apaixonar todos os dias por esse sonho que virou escola, que  construíram, desconstroem e reconstroem todos os dias, vocês são exemplos de que é possível fazer a diferença. Hoje eu sei que a Politeia é uma, das muitas escolas que buscam uma educação diferente, emancipatória e democrática, mas pra mim será sempre a mais especial.

– Dani S. Lima

Share

Alfabetização Científica e Questionamento na Escola

0 Por em

10366082_10202131611313168_5987326620420248936_n

Começo este post com a hipótese de que uma forma de atingir a alfabetização científica é através do questionamento, do exercício da dúvida na escola.

Para atingir este fim é preciso que a proposta pedagógica da escola aponte nesta direção, é preciso uma postura ativa dos/das estudantes, mas essencialmente é preciso uma postura reflexiva e dialógica dos educadores e das educadoras. Sua função, nesta perspectiva, deixa de ser a de transmissor/a de conhecimento e passa a ser de mediador/a, sustentador/a das inquietações dos/das estudantes.


Continue lendo »

Share

Malvadeza

0 Por em

Lendo Pedagogia da Esperança do Paulo Freire, me deparei com uma frase dita por pescadores com quem ele conversava: “castigo duro é o que faz gente dura, capaz de enfrentar a crueza da vida”.

Já que somos uma escola que não trabalha na lógica do castigo nem das diversas punições existentes, creio que valha a pena algumas palavras sobre este assunto.

Discordo completamente da frase dita pelos pescadores, mas entendo perfeitamente o que querem dizer. Esta dialética aponta para uma melhor compreensão do mundo em que vivemos. Por que precisamos criar pessoas que estejam preparadas para essa crueldade toda? Simples, porque o mundo é, de fato, cruel! O mundo não. O sistema que se implantou neste mundo. O capitalismo!

A frase dita pelos pescadores carrega consigo uma verdade imensa, seus filhos e filhas vão enfrentar, da maneira mais dura possível que é sendo pobre, o sistema do capital. Eles acreditam que se forem preparados desta forma conseguirão sobreviver mais e melhor.

Na Escola Politeia, a preparação para este mundo – não no futuro, mas hoje mesmo! – não vem pelo castigo e pelas punições, mas pela co-responsabilização, pela formação política através das assembleias, fóruns, comissões, etc. Nas assembleias podem propor, argumentar, se posicionar, nos fóruns podem ser ouvidos, nas comissões podem atuar, gerir, fazer funcionar. Não precisamos de estudantes/cidadãos endurecidos, mas conscientes, não alienados de seu papel no mundo. Talvez desta forma poderão não só resistir ao sistema, mas atuar nele e (quem sabe) ser contra ele.

“castigo duro é o que faz gente dura, capaz de enfrentar a crueza da vida”.

Esta relação autoritária que se estabelece muitas vezes entre pais, mães e filhos/as e entre educador/a e estudante, nada mais é que a reprodução da relação autoritária que existe entre sistema do capital e Ser Humano.

É fácil julgar quem comete a violência, mas muito difícil perceber de onde vem a malvadeza!

Share

Matéria jornalística sobre Educação Democrática

0 Por em

No ensino democrático, é valorizada a criatividade e a autonomia dos alunos

A Politeia participou de uma matéria jornalística sobre Educação Democrática, cujo objetivo era desvendar e contextualizar a importância de uma formação humanística para os estudantes. Segue a matéria feita pela estudante de jornalismo Aline Oliveira.


Continue lendo »

Share

Sei que sei como sei que não sei o que me faz saber…

0 Por em

Quantas vezes você precisou ler o título desse post para entender o que ele dizia? Ele nem é assim tão complicado mas, como todas as coisas importantes da vida, ele traz ao mesmo tempo um bocado de beleza e profundidade.
Continue lendo »

Share

A lição que não está nos livros…

0 Por em

Muitos fantasmas rondam a escola. Um deles é o tal do “currículo mínimo”. Quando começamos a apresentar a proposta da Politeia, muitas perguntas se repetem, algumas inquietações aparecem, é notório que existe uma certa desconfiança nesse tipo de projeto político pedagógico. Talvez a questão que mais apareça, entre educadores e familiares, é “como vocês dão conta do currículo mínimo?”


Continue lendo »

Share

Do que acontece quando pulamos o muro da escola

0 Por em

Caminhada pela Terra Indígena através de trilha na floresta.

Na Politeia pulamos o muro da escola de propósito. Pulamos o muro não para cabular aulas, mas para “encontrar” outras aprendizagens – outros lugares e pessoas. Frequentar as ruas, o transporte público, as praças e os lugares privados da nossa cidade com um olhar pedagógico traz oportunidades, objetos e formas de aprendizagem outras. A vida fora da escola é outra coisa.

O ensejo deste relato, no entanto, decorre das duas últimas atividades. A primeira era para ser uma visita à exposição “Dalí: Divina Comédia” na Caixa Econômica Cultural e ao Pátio do Colégio. A segunda foi uma visita à aldeia guarani Krucutu, às margens da represa Billings, em São Paulo. O tempo verbal dessas sentenças não é um mero deslize. Indica duas potências distintas da realização de atividades educativas fora da escola: o acaso e o choque de realidade.

Sobre a visita ao Pátio do Colégio

Após uma visita à exposição “Dalí: Divina Comédia”, propus uma atividade sobre a fundação da cidade de São Paulo e sobre a presença dos indíos e sua relação com o homem branco – os portugueses. Para isso tínhamos como material duas fotografias das pichações do monumento às bandeiras do início de outubro e – na nossa frente – o monumento à gloria imortal dos fundadores de São Paulo. Logo no início, um acaso: um morador de rua sentou-se em nossa roda. A seu modo, participou e acompanhou a atividade. Alguns estudantes ficaram espantados e alertas com a situação, outros não se afetaram com o fato. Aquele senhor falou, olhou as imagens e várias vezes pediu para que a atividade continuasse. Já no final da atividade ele deitou no chão e, simplesmente, dormiu. Tal fato trouxe lágrimas a uma estudante. Nesse ponto abri um espaço para comentários, questões, observações e percepções sobre o que havia apresentado a eles e sobre aquele espaço da cidade.

Morador de rua dorme ao pé do monumento no Pátio do Colégio durante atividade escolar no local

Falar sobre aquele senhor que ao nosso lado sentou e dormiu era necessário. Para os educadores e para os estudantes. Então, toda a história e questão dos índios esfriou e deu lugar para os moradores de rua. Enquanto educador, não havia preparado nada sobre essa temática – mas lembro de tê-la levado sem muita reverberação para a sala de aula, dois anos atrás. Esse acaso trouxe uma questão urgente, que precisava ser colocada, discutida. Ao dormir no chão da praça, aquele senhor lembrou-nos sua condição humana e foi sobre sua condição que conversamos por mais um tempo. Algumas estudantes, mais comovidas com a situação “protegeram” o morador de rua até irmos embora, com o intuito que “nada de mal” acontecesse a ele, afinal ele só estava dormindo e não havia feito nenhum mal para ninguém. Uma das protetoras antes desse acaso quando avistava um morador de rua corria apavorada e atarracava os braços dos educadores.

Ao nos colocarmos dentro da cidade, num espaço público com os estudantes, participamos da vida da cidade e pudemos pensar e analisar em seu próprio seio e seiva nossa condição de cidadãos, nossa condição de seres humanos e a forma como nos relacionamos com o próximo.

A visita à aldeia Krucutu

Depois de uma viagem de mais de duas horas pela cidade de São Paulo, nos afastamos de qualquer rastro da urbe (com exceção da rede básica de água e energia elétrica) e adentramos um cenário para mim inimaginável dentro da Paulicéia: floresta. Só o ar puro, os liquens, a vegetação já seriam subsídios suficientes para explorações pedagógicas. Só o trajeto até a aldeia – os bairros, as paisagens urbanas, as transições e mudanças da vida da cidade – era de uma riqueza pedagógica imensa. Mas fomos até ali para ter um momento com os índios guarani. Ali chegamos. Fomos recebidos inicialmente por um segurança indígena da escola infantil indígena. Depois, Olívio Jekupe chegou e foi nosso anfitrião. Conversamos por quase uma hora com ele.

Conversa com Olívio Jekupe, que falou sobre a relação dos indios guarani com a natureza, as diferenças de viver próximo a uma cidade grande e os aprendizados que o branco teve com os índios

Mesmo tendo preparado os estudantes para um possível choque cultural e tentando desarmar possíveis preconceitos, nada como uma conversa cara-a-cara com um indígena. O encontro de duas culturas estava dado ali naquela sala. Mas esse choque expandiu-se quando o indígena mostrou que nos conhecia mais do que nós a eles. Olívio retirou do peito um celular de última geração; Olívio falou que eles vivem nessa terra há 10 mil anos; Olívio falou que tomar banho, comer abacaxi, açaí, mandioca, tapioca, etc. são coisas que o homem branco ocidental aprendeu com os índios; Olívio explicou por que os índios convivem tão harmoniosamente com a natureza. Foram tantos assuntos e tantas afirmações que estudantes pensaram: o que ele chama de homem branco? se eles aprendem português e outras coisas sem escola, pra que serve a escola?

Depois dessa acolhida, o cacique Geraldino nos conduziu por uma trilha pela Terra Indígena. Passamos por um campo de futebol, um tanque de criação de peixes e algumas picadas para habitações. Na trilha era possível ouvir diferentes sons da floresta – grilos, pássaros, gafanhotos e outros insetos – e sentir o cheiro do mato, ou seja, entrar em contato com a floresta e com um lugar de vida completamente distinto do nosso tecido urbano. Nesta caminhada muitos estudantes tiveram que reconhecer e enfrentar medos, temores e restrições físicas. Muitos foram os que caíram, mas todos levantaram e seguiram em frente decididos a ir até o fim.

Apesar da visita ter durado apenas 2horas, foi uma imersão em outra realidade, completamente distinta daquele vivida nas ruas ou assistida na Tv, no youtube e nos cinemas. Não foi somente conversa sobre os guarani ou uma caminhada pela floresta, foi os dois juntos, já que ambos são uma coisa só. Não cobrem de nós educadores e estudantes fetiches indígenas. Peça nossa humilde sensação e percepção desta visita. Tivemos ali uma panorâmica – no bom sentido da palavra – da vida fora da cidade, da vida fora dos padrões ocidentais e brancos.

Caminhada pela Terra Indígena através de trilha na floresta.

Share

Uma escola onde todos são iguais

0 Por em

Por Pedro Ribeiro Nogueira – 10/09/13 do Portal Aprendiz

É hora de começar a semana, mais uma segunda-feira na escola. Sentados em roda, cerca de 20 estudantes e professores aguardam o início da assembleia e definem a pauta numa lousa, enquanto a mesa, responsável por organizar e encaminhar a reunião, é formada por um educador e uma jovem estudante. Esse momento diz muito sobre a Politeia, uma escola democrática de ensino Fundamental localizada no bairro de Perdizes, zona oeste da cidade de São Paulo.

Leia mais
Sem provas e com autonomia, Amorim Lima faz 10 anos
Projeto Âncora se inspira na Escola da Ponte

A assembleia discute temas pertinentes ao dia a dia escolar, que vão desde os grupos de pesquisa, passando pelas saídas do espaço escolar, às regras de convivência que todos terão de respeitar – como, por exemplo, o que pode ou não ser visto na internet. Todos têm voz e voto e apropriam-se de fato de seus direitos, colocando-se publicamente. Os mais jovens (por volta de 6 anos) também expõem argumentos, mas aos poucos, vão trocando a discussão política pelo brincar. Afinal, são crianças.

Percursos

“O grande desafio é despertar o interesse deles pelo conhecimento. O processo de alfabetização, por exemplo, deve partir de uma necessidade que eles sintam de aprender a ler e escrever. E tudo isso é permeado pelo brincar. A criança aqui não irá repetir os padrões de uma escola normal. E os pais geralmente entendem e apoiam essa escolha”, conta Yvan Dourado, professor-tutor da Politeia.

O conceito de sala, aula e prova, inexiste. Os estudantes são agrupados em ciclos (do I ao III, de acordo com as idades) e desenvolvem temas de pesquisa individuais e coletivos, elaborados a partir de seus próprios interesses e do que acontece no mundo. Neste semestre, muitos estão interessados nas manifestações, na questão do transporte público e na tática black bloc. No ano passado, estudaram coletivamente a questão da terra e do território, que serviu de linha mestra para as matérias, todas com o mesmo peso.

Escola Politeia

“Partindo da terra, podemos estudar o meio ambiente, os conflitos agrários, o clima. Cada área do conhecimento tem uma intersecção possível. Antes eles estavam interessados em mitologia greco-romana. Então fizemos encenações teatrais, história,  trabalhamos nas artes plásticas e isso chegou até os orixás, que foi um bom ponto para começarmos a estudar história da África”, relata o educador Osvaldo de Souza.

Transição

Com 14 anos, Joyce Dória está concluindo os estudos na Politeia, após um percurso de quatro anos que começou com a saída da escola particular que estudava, na zona norte da capital paulista. A transição foi um “alívio”, segundo ela. “Era uma escola muito tradicional, a diretora mandava em tudo, ninguém me escutava. Aqui é totalmente diferente”, afirma a estudante.

A jovem, que hoje pesquisa as manifestações ocorridas em junho, revela que no espaço da Politeia perdeu a timidez e aprendeu a falar em público. “No começo aqui, sempre que eu ouvia um ‘não’, ficava revoltada, brava, mas aprendi a conviver e me ver como parte disso, porque eu também ajudo a construir as regras”, diz Joyce, que também destaca que, na nova escola, os principais aprendizados foram “autonomia e responsabilidade”.

A transição foi acompanhada por seu irmão, que tem Síndrome de Down. Segundo ela, ele costumava sofrer muito preconceito na escola antiga, o que a enfurecia, mas hoje em dia não há qualquer motivo para isso. “Aqui não trabalhamos com o conceito de inclusão, porque ele já parte dizendo que alguém foi excluído. Todos têm suas dificuldades e suas habilidades”, pondera o educador Yvan.

À casa torna

Em sua curta caminhada, um caso marcou bastante o experimento da Politeia. Um ex-estudante, o primeiro a se formar na escola democrática, teve que encarar a tarefa de se adaptar a um colégio tradicional. Ao tentar passar na prova de admissão, se deparou com dificuldades. Ao retornar à Politeia, armou um roteiro de estudos e em pouco tempo havia dominado os conhecimentos necessários para se integrar à nova etapa de sua vida.

Hoje, ele retorna regularmente para a antiga escola para ajudar os formandos, coordenando um Grupo de Estudos especialmente voltado para isso. Serão sete neste ano que devem se preparar para as provas que virão.

“Nós queremos que os estudantes conquistem os instrumentos para que possam ser o que quiserem”, reflete Yvan, ao lembrar-se deste caso. “Essa história confirmou uma hipótese que tínhamos ao fundar essa escola: de que é possível preparar um sujeito, ao dotá-lo de liberdade e habilidades, para que ele seja participativo, solidário e questionador”, reflete.

Como funciona a educação democrática na Politeia

Fórum de Resolução de Conflitos: Quando há algum conflito, o estudante ou o professor escreve em um papel quem são os envolvidos e afixa em um painel. Em seguida, há uma reunião entre as partes conflitantes e dois mediadores, um estudante e um educador. Não há advertência ou suspensões e as questões costumam ser resolvidas no diálogo.

Conselho: Uma vez a cada dois meses, os pais se reúnem com os filhos e a equipe da escola para discutir as questões escolares. Planilhas de gasto da escola são abertas e todos tem voz e voto igual. Inclusive os alunos.

Professor, tutor ou educador? “O papel do professor é importante, mas ele não é o detentor do conhecimento. Aulas expositivas não são encorajadas, mas ele tem que preparar fichas, materiais. Preferimos diálogos, rodas, pesquisas”, afirma Osvaldo, que lembra que os novos educadores passam pelo crivo dos alunos para serem contratados. “O novo professor tem que fazer uma atividade e os estudantes vão escolher o contratado”.

Provar o quê? “Prova machuca, dá medo, deixa o estudante nervoso”, relata Joyce, 14. Na Politeia, os estudantes passam por uma autoavaliação sem nota, além de um acompanhamento dos educadores sobre seu desempenho, em constante diálogo com os pais. “A prova é uma fotografia. Nós olhamos o processo como um todo, em ciclos”, afirma o educador Osvaldo.

Share

Escola Politeia apoia a Paralisação Nacional

0 Por em

Amanhã dia 11/07/2013 haverá uma paralisação nacional de trabalhadores convocada por várias centrais sindicais (CSP-Conlutas, Força Sindical, CUT, CTB, UGT, NCST, CGTB, CSB), como um dia de lutas, manifestações e greves.
O país encontra-se em um momento histórico, em que a população está nas ruas exigindo direitos e cobrando mudanças. Neste texto curto não entraremos nos pormenores dos problemas de direção  e foco das reivindicações dos manifestantes, mas ainda assim, nós da Escola Politeia acreditamos que é através da luta e da ação direta que conquistamos nossos objetivos. A prova maior disso é a democracia que praticamos na escola, uma democracia direta através das assembleias e outros espaços de gestão de convivência e conhecimento.
Sendo assim, a Escola Politeia pára suas atividades nesta quinta-feira (11), para liberar seus trabalhadores para participar dos atos e, principalmente, como apoio ao movimento nacional.
Share