Lendo Pedagogia da Esperança do Paulo Freire, me deparei com uma frase dita por pescadores com quem ele conversava: “castigo duro é o que faz gente dura, capaz de enfrentar a crueza da vida”.

Já que somos uma escola que não trabalha na lógica do castigo nem das diversas punições existentes, creio que valha a pena algumas palavras sobre este assunto.

Discordo completamente da frase dita pelos pescadores, mas entendo perfeitamente o que querem dizer. Esta dialética aponta para uma melhor compreensão do mundo em que vivemos. Por que precisamos criar pessoas que estejam preparadas para essa crueldade toda? Simples, porque o mundo é, de fato, cruel! O mundo não. O sistema que se implantou neste mundo. O capitalismo!

A frase dita pelos pescadores carrega consigo uma verdade imensa, seus filhos e filhas vão enfrentar, da maneira mais dura possível que é sendo pobre, o sistema do capital. Eles acreditam que se forem preparados desta forma conseguirão sobreviver mais e melhor.

Na Escola Politeia, a preparação para este mundo – não no futuro, mas hoje mesmo! – não vem pelo castigo e pelas punições, mas pela co-responsabilização, pela formação política através das assembleias, fóruns, comissões, etc. Nas assembleias podem propor, argumentar, se posicionar, nos fóruns podem ser ouvidos, nas comissões podem atuar, gerir, fazer funcionar. Não precisamos de estudantes/cidadãos endurecidos, mas conscientes, não alienados de seu papel no mundo. Talvez desta forma poderão não só resistir ao sistema, mas atuar nele e (quem sabe) ser contra ele.

“castigo duro é o que faz gente dura, capaz de enfrentar a crueza da vida”.

Esta relação autoritária que se estabelece muitas vezes entre pais, mães e filhos/as e entre educador/a e estudante, nada mais é que a reprodução da relação autoritária que existe entre sistema do capital e Ser Humano.

É fácil julgar quem comete a violência, mas muito difícil perceber de onde vem a malvadeza!

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