Abaixo publicamos o relato de uma estagiária que passou pela Escola Politeia e aprendeu e contribuiu com nossa proposta. Sua reflexão posterior aponta que a escola não é apenas um espaço de aprendizado dos/das estudantes, é muito mais que isso, é um espaço de troca e construção de conhecimento de todos/as os/as envolvidos/as neste processo.

Aos educadores da Escola Politeia, sobre a experiência do estágio.

Quando eu cheguei à Politeia, o objetivo era simples: cumprir um estágio obrigatório de 100 horas – 75h numa turma de Alfabetização e 25h de Gestão Escolar. Sem nenhuma experiência enquanto educadora, carregando apenas os onze (maçantes) anos como aluna de escola pública que seguiam à risca o modelo tradicional de ensino, o famoso “senta, cala a boca e copia”.  O curso de Pedagogia também já não estava me motivando muito, por todo o cenário da educação e pela baixa ou nenhuma perspectiva de mudança. Por essa e por outras, volto a dizer: o estágio era apenas uma obrigação. Mas não é que a obrigação virou curiosidade, e motivação e depois prazer, e em pouco tempo a Politeia virou um dos lugares que eu mais gostava de estar?… Pois é, virou!

Encontrei aí uma grande família com cara de escola. Uma proposta de educação diferente de todas que me foram apresentadas antes, que não se limita a ensinar o que é a democracia, mas que a vivencia no dia-a-dia. Vi um grupo de educadores corajosos, motivados, que não têm medo de não ter uma resposta sempre pronta na ponta da língua, que não são meros reprodutores de conteúdos, aceitam o desafio de aprender enquanto ensinam, aprender com as dúvidas de seus alunos, que não julgam as crianças por suas falas e atitudes, mas as valorizam. Vi uma escola onde crianças e adultos falam de igual para igual, sem hierarquia, sem constrangimentos. Achei incrível ver os educandos propondo coisas, das mais simples às mais complexas, com suas sugestões sendo de fato ouvidas, respeitadas e realizadas quando possível, possibilitando a participação de todos nas tomadas de decisão, mostrando que educar para autonomia é mais do que simplesmente deixar a criança escolher a cor da capa do caderno.

Aprendi que ser um bom educador é primordialmente respeitar o interesse individual de cada educando e entender que nem sempre eles vão querer estar onde nós gostaríamos que estivessem, no cube da leitura, por exemplo, e não se frustrar (tanto) quando isso acontecer, porque num dia essa não é a prioridade deles, mas no dia seguinte pode ser (ou não)… faz parte do processo. Minha gratidão ao Yvan e as meninas do clube da leitura, Laís e Renata, por me ajudarem a entender isso.

Carol e Marcelo, obrigada por me receberem tão bem e me deixarem à vontade, interagindo com as crianças. Yvan e Edu, sem palavras pra vocês, que a amizade continue para além do estágio.

Fernando, quando eu crescer, quero ser como você! Obrigada por me ensinar o ápice da paciência que consegue ter um excelente educador, convicto da importância do seu papel e me mostrar que não se deve esganar criancinhas, por mais que elas tentem te tirar do sério (risos).

Osvaldo, como você eu aprendi que… Estagiária tem que se xxxxx mesmo e arrumar notinhas, pra ver que não tá fácil pra ninguém, rsrs!

Foram quase três meses de aprendizado constante e que todos foram muito importantes, não pelas respostas prontas, mas pelas dúvidas e inquietações me causaram. Minha gratidão a todos: Yvan, Edu, Carol, Osvaldo, Marcelo, Aline, Iara, Luiz, Tassi, Gabi, Carol Hamburguer, Patrick, Jôse e Jô, espero não ter esquecido ningém.

Sobre as crianças, sentirei saudades de ouvir o “Daniiii!!!” que as meninas gritavam quando me viam… E de todos os rostinhos espertos.

Desejo que vocês continuem a se apaixonar todos os dias por esse sonho que virou escola, que  construíram, desconstroem e reconstroem todos os dias, vocês são exemplos de que é possível fazer a diferença. Hoje eu sei que a Politeia é uma, das muitas escolas que buscam uma educação diferente, emancipatória e democrática, mas pra mim será sempre a mais especial.

– Dani S. Lima

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